quarta-feira, 24 de julho de 2019

estranha

eu escrevo há tanto tempo, desde que tinha 9 anos.
completei diversos diários. reli em dias estranhos.
tive muitos dias estranhos rs
tive amigos estranhos que também escreviam.
tive vergonha de escrever. tive vergonha da minha melancolia.

criei uma máscara para mim e cuidei dela a cada dia. achava o melhor ângulo, pegava opiniões, eu me reconstruía.

eu mudei tantas vezes, mas um dia eu não me conhecia. o meu melhor amigo me amava e não sabia nenhuma verdade minha.

senti a dor por todos os meus sentidos. lutei todos os dias.
mas não teve nada que me acontecesse para me ajudar a esquecer o que eu descobrira.

antes de saber era mais fácil. antes de saber eu jogava. agora que sei, eu me travo. agora que sei, eu não me encaixo.

mesmo mudando um pouco, para me aproximar de mim, demorei. me sinto pelada na rua, de um jeito que eu nunca me encontrei.

a gente é o que é, mesmo aprendendo a mudar. a gente é o que é, mesmo que não dê vontade de falar.

quinta-feira, 30 de maio de 2019



sonhei contigo

e acordei transbordando
sem me conter.

ou entender, como você sempre me transformou

cara a cara contigo
eu sonhei
o sussurro o que eu teria te dito
se você não tivesse partido

título: me encorajei

domingo, 12 de maio de 2019

casinha decorada

um dia eu consegui mudar o foco pra mim
mas, no primeiro momento eu quis voltar
na impossibilidade de me corrigir

olhando de novo, gostei
eu
me entendi

pior que quando trouxe visita, me envergonhei e não quis repartir

aí eu decidi: só eu deveria estar ali!

desde então, descobri tantos detalhes e re-entendi tantas histórias que até me envaideci

hoje eu tô achando a minha casa tão bonita, mesmo estando igualzinha
ou eu não estava lá ou eu me re-vivi

terça-feira, 19 de março de 2019

não

não
eu não desisti.
ainda sonho todos os dias,

eu sobrevivi!

quero mergulhar em meu medo
e me redescobrir

quero viver o meu sonho
quero me repartir -

não, novamente -
eu quero insistir
a vida não pode ser tão fria

eu vim pra aplaudir




eu não quero estar presa
e não me apaixonar

eu vou morrer de amor
não vou temer chorar.

sábado, 1 de setembro de 2018

só no começo

mudei
o jeito de cantar meus versos diários

cansei
da monotonia do não protagonista

inovei
teorias de autoconhecimento

me encantei
com a mulher que me vi

não me acabei
ainda nem me conheci.


domingo, 28 de janeiro de 2018

amado medo

tenho medo

tenho tanto medo que meus olhos fecham e o meu coração fica apertadinho não sei o que é bom ou ruim para mim porque de repente... eu sofro demais (Escondida dentro de mim, percebo a fragilidade do ato. Me incomodo com a repetição da cena. Fico intrigada com a solução proposta. Saio da inércia)

é chegada a hora de um novo desafio vou abrir os olhos, encarar o mar

e te amar.

Ainda desajeitada e morrendo de medo. Arrisca-se, passarinho que está aprendendo a voar.

segunda-feira, 27 de março de 2017

(eu) presente

queria que fosse mais fácil
entender o não

coração trancado



vou fechar as portas da minha casa
e aproveitar esse tempo para me reencontrar
me reinventar.

realizando os escritos
tímidos e miúdos
até se tornar grande e presente
olhando na cara do não
sem se entristecer,
contente.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

dia normal

tentando descansar
enquanto que os olhos não se fecham
insistente mania
de parar para pensar
sem saber parar
nas novidades que me envolveram
nas atividades que me assustam
no ensaio de ser eu

o dia novo está aí
e eu pensando em trocar as xícaras da manhã
e eu com vontade de arriscar o novo
e eu sonhando de novo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

do que eu não sabia


Tava olhando ali
Aquela janela
E sabe que ela é bem bonitinha?
Gostei do lugar, do material, da vista
Me encaixei.

O mais interessante era o que havia do outro lado
Fiquei por horas intrigrada
Metade da janela me expandia (em pensamentos)
Enquanto que a outra metade me escondia
E ali eu ficava, por horas...
Protegida

Bom, mas não era só a janela que me agradou
Tinha uma porta logo ali
A direita
Mas dentro de mim era tão esquerda... que não me imaginava passar por ela

(Daquele lado que não se conhece
É onde a gente acaba se desconhecendo
É o lado onde se encanta e também onde se encara o medo)

Pois é, fiquei parada, namorando a porta... que nem me via!
Já não sabia
Se havia entrado e estava de saída
Ou se ainda estava desenhando o meu entrar

descabida...

quinta-feira, 2 de julho de 2015

meu velho óculos de ilusão

É engraçado porque eu não uso óculos
Mas ele sempre esteve aqui comigo

Logo eu, que sempre quis ter amigo imaginário
Que sonhadora seria sem ele?
Acreditando que estavam enganados sobre mim, me frustrava
Em cada tentativa e recomeço
Mal havia notado há quanto tempo me acompanhava

Me imaginava
Tantas vezes distorcia
E só não quebrava esse óculos de raiva
Porque não me apercebia

Quantas mentiras vesti
Quantas verdades maquiei

Já faz muito tempo mesmo
E agora, no momento de tirar o óculos,  fico sentindo o peso dele em meu rosto

Parei, com medo de parar

Será que me envaideci? 
Ou só estou com medo de me descobrir? 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

muda de rosa

fico olhando nos seus olhos
e te admiro tanto
penso se talvez não seja esse o motivo de tanta demora
é correnteza que não para
fonte que não se esgota

não digo pela beleza, que não é pouca
sim pelo conteúdo que me fixa
no seu singular

e assim, parada
acabei sabendo tanto de você
nossa história eu já sei de cor
já me acostumei a rememorar e também me esqueci

(...)
me interrompi.




domingo, 17 de maio de 2015

do caminho


que engraçado
basta um pensamento, que muda-se o estado
aquele dia me sentia triunfante
mesmo sem ter tido um dia de rei

acho mesmo que era só a coerência, me deixava à toa
toda, toda
planos e ações
nos meus passos de tartaruga
em meus pulos de anões

domingo, 29 de março de 2015

pe(n)sado

antes de virar a página
gostaria de me dilacerar nela
pra não ser obrigada a retornar

a essência do que não compreendemos
é o que costuma nos maltratar
junto com o que desejamos e admiramos, em segredo
delicadezas que nos determinam
norteando nosso estado por algum tempo

quisera um dia ter completo domínio
e deixar os tijolos da minha estrada, amarelos
cessar com o preto e o branco
em autonomia

não sei não, tô virando a página
mas essa é uma daquelas que eu deixei marcada
de tanto me debruçar


escrita



já tentei te desconstruir tantas vezes
só para te conhecer, de fato

quanto mistério
envolve esse nosso apresentar
quanta energia no desvendar...

me emudece, por vezes
de tão tímida que sou
e tão intimidadora que é

a solidão se quebra
identificação aceita
envolvida em sua literata

traduzida em letras




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

do (cala)frio

é engraçada a forma como te enlaça
a não te deixar escapar
mesmo com a maior distância
que ao ser tamanha, te belisca
em saudade
te flecha,
em demora
te melancoliza,
em ecos

em meio a toda essa maestria
você,
que está presa por não querer sair
sente o gosto de ser inteira


E quem nunca se arriscou, não vacilou, não se envolveu? Quem não paralisou, se antecipou, emudeceu? Quem não passou calafrios ou excesso de calor? Corou o rosto e escondeu amor? Quem não se controlou enquanto achava mágico o sonhar? Quem não se fez de besta, olhando para os lados, para a hora não passar?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Que bom que não acabou



Que engraçado
Quando pensei que já não haveria de novo..

Surpresa
Aparece a mais linda borboleta

E percebi que fechar os olhos ou virar o rosto não permite esquecer
...do seu passeio por aqui



mas que sorte!
E se eu não tivesse conhecido essa borboleta?

E repensa. Mesmo suspirante... na magia das expectativas, na energia da esperança e dos sonhos. Dentro de todas as possibilidades. Do provável e do improvável. Da felicidade e da tristeza.





terça-feira, 6 de janeiro de 2015

de gota em gota, o meu chuvisco


chove aqui dentro
cores diferentes em mim
o piscar ficou sereno
e o pisar ficou macio

ta chovendo tanto aqui dentro que eu já me transbordei,
não consegui guardar segredo

foi bem na hora que o vento passou com o medo.
deram tchau para mim...
e agora eu fiquei aqui, sozinha, com o maior Sol

Sorrindo pro vento.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

"bandeira estendida"

Miopia - Zélia Duncan

Quanto tempo durou o seu último romance? Não digo do relacionamento sério mais recente e sim daquela paixão, a última, quanto durou? Fico em dúvida se é só comigo que as coisas acontecem com tanta pressa. Passam me atropelando e me deixam desconcertada, olhando para os lados, tímida. Tomara que não. Não desejo de forma alguma o mesmo azar a vocês, mas me aquietaria a alma saber se isto é comum, com resposta positiva, é claro.



poderia escrever um livro
com meus pequenos casos
platônicos
que me deixaram assim
atônica

em instantes.


surpreendentemente
me construí em cada vez que me vi incompleta
porque nos instantes que me vi repleta
me conheci ainda mais
sob outra conjugação
me tornando mais específica

como se eu precisasse
conhecer tais figuras
ideais
sentir saudade
e então, me situar
de forma precisa.



quarta-feira, 2 de julho de 2014

o anjo triste e o anjo branco


nem tudo o vento leva
nem tudo é fácil de se levar
tratando-se de mim, tudo é difícil
em suave estilo de complexidade

nos emaranhados das histórias
se torna impossível explicar um fato a luz concreta
a subjetividade delineia tanto
que permeia o seu significado

queria bem é que levasse embora o que me atrasa
os medos que me engasgam a alma
as aflições que me fazem suspirar

mas não vai nada.
parei de esperar.
(passei a maquinar)

e acordei diferente hoje
como se anjos tivessem me acalmado de madrugada
me contando um segredo revelador
pena que não pude recordar pela manhã

acordei com fé
mesmo com tristeza nos olhos

quem sabe...
uma ventania própria não me faça desengasgar?

não sei não, mas acho que vai rolar.

domingo, 7 de abril de 2013

dentro de mim


tentando voar e nas pausas olhando para os lados
para espiar o passado

direcionado desejo

em minha mania de fotografar, não me engano
é doce relembrar os sonhos
mesmo os embrulhados,

guardei

em meu caminho
os pontinhos desajustados
para me alinhar.
dentro do rastreado,
vão sendo marcados os passos
para sempre que for preciso
me encontrar, me desembrulhar, me debruçar em
mim

dançando e me situando,
 me vendo nos meus cantos
que em manifesto me registrei
sonhando o dia de rei

virá, virei...eu sei.